Mensagem do DIrector Artístico

Carlos Alves (Dir. Artístico)
34.º Festival Internacional de Música de Verão de Paços de Brandão
Todos os dias acordámos com as notícias de que Portugal atravessa a maior crise económica e financeira da ultima década. Pela televisão, rádio ou jornais recebemos a vil informação que este nosso país está a braços com uma recessão. Uma situação que, segundo o que nos (des) informam, para ser ultrapassada, terá de ter o apoio monetário internacional. A par de tudo isto, à descarada, passa-se a mensagem que as agências internacionais de rating já não acreditam na nossa capacidade para subverter esta situação!
Este avultar de informação e contra-informação vai-nos colocando, entretanto, numa situação intempestiva, desesperante e cegamente destruidora…
Perante a comunidade internacional, nós, os Portugueses, aqueles que “deram mundos ao Mundo”, afinal, não somos capazes de bem gerir a nossa casa. E muito menos de encontrar soluções para ultrapassar a crise.
Para algumas elites internacionais, Portugal e as suas gentes, nada têm de interessante! Para eles somos bacocos, gastadores e pouco produtivos…
Talvez, seja chegada a hora de como dizia Pessoa “cumprir Portugal”. Chegou a hora de nós, Portugueses, mostrarmos a nossa raça, contrariando todas as tendências negativistas que nos foram infligidas. Está na hora de acreditarmos em nós próprios e, acima de tudo, acreditar em Portugal!
Perante toda a conjuntura sócio-económica que afecta o país, o Festival Internacional de Música de Verão de Paços de Brandão, na sua 34.ª edição, estabeleceu como missão, através da Música, dar o seu contributo para que acreditemos em Portugal e nos Portugueses.
A Música, enquanto arte, tem servido, em diversos momentos, como motor de motivação e desenvolvimento para ultrapassar a crise. Através dela, partimos à descoberta de um manancial de quereres, sentimentos, ideias e expressões, que, de uma forma ou de outra, marcam a nossa própria identidade cultural.
Partindo desse proposto, a programação do FIMV que se pauta sempre pela maior diversidade de espectáculos, este ano reúne mais de duas centenas de artistas integrados naqueles que consideramos serem os mais consistentes e estruturados projectos musicais de qualidade em Portugal nos seus respectivos géneros.  Ao todo foram programados seis concertos, que começam pela apresentação da Orquestra de Câmara Portuguesa, cujo seu prestígio é reconhecido largamente sendo a Orquestra Residente do CCB, no programa a apresentar tenho que obrigatoriamente destacar o maravilhoso Concerto para Clarinete de Mozart que foi escrito sob os valores da liberdade e da fraternidade, que tão presentes estão hoje no imaginário dos portugueses. Ainda no âmbito de formações orquestrais, a grandiosidade de outro pólo cultura, a Casa da Música – Porto, será representada pela notável Orquestra Sinfónica do Porto/Casa da Música. Que fará um espectáculo maravilhoso para toda a família a partir dos 3 anos, salientamos que a entrada é gratuita até aos doze anos de idade, tendo um preço simbólico de 5 euros para os pais.
O Festival guarda, também, espaço para outros projectos. Como é o caso da excelência do Quarteto de Cordas de Matosinhos. Ou será, porventura, o momento de inovação, de obra inédita, a estreia mundial do Primeiro Concerto para Clarinete Acordeão e Banda Sinfónica da História da Musica, encomendada pelo Festival ao compositor Paulo Jorge Ferreira. Nesta produção participa a qualificada Banda Sinfónica da ARMAB, mostrando um novo país que infelizmente ainda é desconhecido para muitos.
Neste Festival, a ligação com o empreendorismo e potencial local, tem sido uma das preocupações da programação. Todos os anos integramos um Concerto para Jovens Talentos, perspectivando o futuro da Música em Portugal. Este ano o concerto será realizado com Primeiros Prémios Seleccionados  do Concurso de Jovens Músicos das “Terras de La Sallete” , cuja organização pertence à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, é de salientar que no ano de 2011 teve 341 candidatos de 112 municípios diferentes, dá-nos assim uma dimensão clara da enorme vivência actual do ensino da musica no nosso país. Um outro momento, mais de identidade cultural local, será o do concerto do Grupo Coral do CiRAC – Paços de Brandão, a instituição que promove o Festival.
Com a proposta deste bloco de programação estamos, desde já cientes, que, na Cultura, a partir da Música e dos seus projectos e respectivos profissionais é possível comprovar a todas as agências de rating que Portugal afinal é empreendedor, produtivo e tem muito talento!
Portugal tem Futuro! Temos que ser nós os primeiros a acreditar!